Fundada em 1991, a pastelaria Nova Flor, instalada no coração da vila de Tábua, é hoje um nome incontornável da doçaria e bolos do concelho tabuense. Jorge Nunes e a mulher, Ofélia Fiúza, tinham regressado entretanto do Brasil, onde já tinham negócios no setor da padaria, e decidiram lançar-se na arte pasteleira, tornando-se em pouco tempo uma referência gastronómica na região, oferecendo aos clientes os melhores sabores da doçaria tradicional, inspirados muitos deles em receitas antigas.
Hoje passados mais de 30 anos, a pastelaria Nova Flor conta já com uma nova geração – os filhos dos proprietários, Rafael Nunes e a irmã, que embora com formação académica em áreas distintas, metem também a “mão na massa” e asseguram a continuidade do negócio da família, imprimindo também eles um novo selo de frescura e qualidade aos produtos confecionados diariamente na pastelaria. Os mais afamados são mesmo os bolos festivos: não há festa de aniversário, batizado ou casamento na região que dispense a originalidade e o cuidado com que são produzidos.
“A decoração dos nossos bolos é um autêntico trabalho de artesanato, não há como industrializar este trabalho”, conta Rafael Nunes, que trabalha com vários caterings da região, para quem chega a produzir mais de 100 bolos num fim de semana. Já no dia a dia são os pasteis de nata que fazem as delícias dos clientes que frequentam a Nova Flor.
“As nossas natas já se tornaram uma tradição, não conheço ninguém em Tábua que não tenha provado os nossos pasteis, temos clientes que nos levam algumas dezenas diariamente, já se tornou um hábito”, conta o rosto da nova geração desta empresa familiar, e aquela que quer continuar a conquistar Tábua e a região com as suas iguarias. Não sendo um bolo típico de Tábua, o pastel de nata é um “bolo icónico” que “quase toda a gente gosta”, explica Rafael Nunes, julgando que o segredo deste bolo está mais na forma como é confecionado do que propriamente nos ingredientes. “Estes são os mesmos em todo o lado, as quantidades e a forma como são feitos é que difere” diz, lembrando que a receita foi “herdada” de uma antiga pasteleira que veio da Tabriz, que foi durante anos uma casa de referência na Beira Serra.
Mais recentemente, em 2012, a Nova Flor ganhou também o concurso de ideias “Tábua de Sabores”, promovido pelo Município Tabuense, para a eleição do doce típico do concelho, com o pastel “Delícia de Tábua”.
O doce, que utiliza alguns dos principais ingredientes que a região oferece como a farinha de milho, o azeite, o requeijão e o vinho do Dão é, no entanto, confecionado apenas por encomenda, uma vez que “é um bolo que não aguenta muito tempo, é mais para consumo imediato”, adianta o jovem empresário, acreditando que o futuro do negócio passa muito por “voltarmos às receitas 100% tradicionais e antigas”. “Parece quase um retrocesso, mas quanto mais tradicional, mais genuíno, mais da terra, é que as pessoas procuram” constata, não tendo dúvidas que este “ é o caminho certo do crescimento” para estes pequenos “grandes” negócios familiares, porque “temos de fazer a diferença em relação ao que se fabrica e ao que se vende nos supermercados”. “Hoje já existe essa preocupação por parte do consumidor, de comprar coisas mais naturais, mais bio, e acredito que é uma tendência”, diz Rafael Nunes, entendendo que a luta com a concorrência das grandes superfícies “nunca pode ser pelo preço, mas pela qualidade”.
Apesar da escassez de mão de obra especializada no setor, o jovem gestor garante que a família, com a ajuda de alguns colaboradores, vai conseguindo assegurar o fabrico diário, apostando em continuar a conquistar novos clientes com os seus bolos e doçaria “tradicional” e “artesanal”.










