Recém chegado à presidência da UF de Ázere e Covelo, Luís Rodrigues (PS) assume como primeira prioridade a aproximação à população e a união entre as várias localidades. Sem a ambição de ser visto como o “senhor presidente da junta”, o jovem autarca pretende antes que as pessoas sintam que “o Luís é do povo”. As ideias que apresentou em campanha, são aquelas que espera executar até ao final do mandato. Deixou a certeza de que com a sua equipa vai dar o seu “melhor”.
Notícias de Tábua- Naturalmente que, passados estes dias, depois da tomada de posse, já tem um diagnóstico mais apurado daquilo que são os problemas e os desafios desta União de Freguesias. Se tivesse de eleger três prioridades para este mandato, quais é que seriam?
Luís Rodrigues – É um privilégio ter o Notícias de Tábua na nossa sede da União de Freguesias de Ázere e Covelo. Dou-vos os parabéns pelo vosso trabalho, eu acho que é importante continuarem nesta dinâmica, até para ajudarem a divulgar as nossas aldeias. Respondendo à pergunta, a primeira prioridade para este mandato é a aproximação à população. Eu tenho notado estes dias, falando com várias pessoas na rua, tenho passado em todas as aldeias e ainda falta passar em mais alguns cantinhos, que é muito importante.
Tenho notado que a população parece que deixou de acreditar um bocadinho na política e eu acho que é importante haver esta aproximação. Algumas pessoas tratam-me por Presidente, não sei se é uma brincadeira ou não, mas eu digo sempre que sou o Luís, eu quero ser o Luís do povo. Hoje sou o presidente da União de Freguesias de Ázere e Covelo, não só de quem votou em mim, sou o presidente de Junta de todos os azerenses e de todos os covelenses, e isso eu acho que é o mais importante. Para mim, é muito importante tentar unir as pessoas. Não sei se é por acaso ou não, mas nós temos o nome de União de Freguesias de Ázere e Covelo e, mesmo eu não tendo uma grande ligação ao Covelo, na altura da campanha as pessoas foram fantásticas, receberam-nos muito bem, abriram as portas. Fiquei mesmo muito feliz.
É este espírito de união que eu quero trazer também para Ázere, para Vila Seca, para Lajeosa, para o Espadanal e também para a Raposeira, que é uma aldeia que se situa na nossa União de Freguesias.
Infelizmente, sinto que a nossa Freguesia perdeu-se um bocadinho ao longo destes anos. Sabemos que foi feito muito trabalho bom – isso é realmente de louvar- por todos os executivos que passaram nesta União de Freguesias e Juntas de Freguesia anteriores, mas eu quero também com isto unir as pessoas. Eu quero mesmo unir as pessoas, eu quero que as pessoas sintam que o Luís é do povo, não é o Senhor Presidente de Junta.
Notícias de Tábua – Essa é mesmo uma das primeiras prioridades…
Luís Rodrigues –Sim, essa é a prioridade, para ganhar confiança com as pessoas e para que elas consigam acreditar novamente na política.
Outra ponto que eu acho muito importante é criar um grande cartão de visita na nossa União de Freguesias. Somos provavelmente uma das Freguesias em todo o concelho, que tem mais área banhada pelo rio Mondego. Eu acredito que algo grande poderá ser criado com o rio Mondego. Temos natureza, temos muito verde e temos pontos turísticos que poderemos aproveitar para alavancar. Tal como disse em campanha, quero dar o meu melhor com o nosso Executivo, porque temos uma equipa fantástica e quero fazer com que a nossa União de Freguesias seja um ponto de referência não só no concelho de Tábua, mas também no distrito de Coimbra.
Notícias de Tábua – Já tem alguma ideia de como é que pretende potenciar o turismo na Freguesia?
Luís Rodrigues – Sim, sim. Partilhámos no nosso flyer, no nosso folheto de divulgação de campanha, as ideias que queremos realizar ao longo de quatro anos. Algo que eu acho que é importante dizer é que tudo o que foi colocado no papel é para ser cumprido. Esse é o meu maior desejo e quero trabalhar durante quatro anos só para realizar aquilo que nós colocámos no papel.
Sobre essas ideias e estratégias que nós podemos vir a aproveitar na nossa União de Freguesias, primeiro tem que haver uma análise de cada aldeia. As aldeias não podem ser tratadas da mesma forma. Por exemplo, Ázere tem potencial para algo, o Espadanal tem potencial para outro, o Covelo Baixo tem potencial para outras coisas. Temos que analisar o potencial de cada aldeia.
Não podemos dizer que vamos criar, por exemplo, uma praia fluvial, que muita gente fala disso, a nossa União de Freguesias, sem primeiro analisar onde fazer e como fazer. Podemos começar por algo que não possa ser identificado como praia fluvial, até porque as exigências são diferentes, e começar a divulgar e a dinamizar o potencial que cada aldeia tem, a nível turístico. Mas esse é claramente um objetivo: criar, ter aqui uma praia fluvial.
Também quero fazer um estudo, uma análise em todas as nossas aldeias dos pontos turísticos de interesse, e existem muitos pontos turísticos com história. A ideia é criar um roteiro, para que no futuro se possa desenvolver um folheto, um flyer, que possamos colocar nos alojamentos locais, nas associações do nosso concelho, no hotel… E criar, quem sabe no futuro, uma aplicação para que possamos mostrar aos visitantes o bom que a nossa União de Freguesias tem, e começarmos a trazer pessoas. E isso também é um segundo ponto muito importante.
Como terceira prioridade, eu gostaria primeiro de dar os parabéns a todas as associações que a nossa União de Freguesias tem, porque eu acredito que no concelho de Tábua somos uma União de Freguesias única, trabalhamos muito bem no associativismo, e eu quero ajudar. Muito rica em associativismo. Infelizmente, os comércios têm vindo a fechar, os cafés, as mercearias, e nós temos que arranjar estratégias para juntar as pessoas ao fim de semana.
As associações têm feito esse trabalho muito bem, queremos ajudar também a parte da zona do Covelo de Cima, Covelo Baixo e Raposeira, a criar algo no futuro para que possamos começar a juntar as pessoas lá também ao fim de semana. Ou seja, cabe-nos a nós, novo Executivo de Junta, arranjar estratégias, falar com as pessoas que nós acreditamos que têm capacidades para criar algo no Covelo. E no futuro, juntá-las todas, e quem sabe criarmos aqui um evento que poderá vir a fazer a diferença, uma vez por ano, para ajudar a divulgar o bom que a nossa União de Freguesias tem.
Notícias de Tábua- E envolver nesse evento todas as coletividades da União de Freguesias?
Luís Rodrigues – Sim, porque elas merecem, elas têm feito um trabalho espetacular, eu tenho estado presente, tenho estado atento. Queremos reunir, aliás, eu reuni com elas todas durante a campanha e quero reunir com elas agora depois da campanha. Queremos falar com as associações, nós também temos o privilégio de ter uma instituição nesta União de Freguesias que se chama Acuredepa, que é única neste concelho, é muito respeitada e é a única entidade patronal que tem tanta gente a trabalhar. É uma instituição com muito potencial que nos pode ajudar, a nós, União de Freguesias, e nós também à Acuredepa, para que possamos trabalhar todos em conjunto.
Notícias de Tábua – Esta é uma freguesia, como muitas do interior, que se debate com problemas de envelhecimento, de despovoamento. Como é que pretende minimizar esse problema e tornar a freguesia mais atrativa para os jovens, levando-os a residir cá permanentemente?
Luís Rodrigues- Uma das nossas ideias, que também está no nosso folheto de campanha, passa por, junto com o município de Tábua, criarmos condições, através de uma ARU (Área de Reabilitação Urbana), para baixar o IVA na construção e reconstrução, e depois divulgar isso de uma forma estratégica, para que as pessoas que querem vir para a nossa União de Freguesias viver, possam ter possibilidades para vir. Ou seja, que a despesa não seja um entrave. Também vamos tentar fazer uma análise das casas devolutas que estão nas nossas aldeias, junto das famílias, e tentar perceber se têm interesse em vender ou em recuperar para, depois, divulgarmos aos casais, às famílias que se querem fixar nas aldeias. Sabemos que nas cidades o preço da habitação é caro, nas vilas também já começa a ser caro, e então eu acredito que o diâmetro que existe à volta das cidades e das vilas, neste caso Tábua, as aldeias mais próximas poderão vir a beneficiar com isso.
Passa por aí, arrumando as estratégias, baixando o IVA na construção e na reconstrução, fazendo uma boa divulgação, melhorando, como eu disse no segundo ponto, a parte do turismo, para que as pessoas possam ter interesse em vir, visitar e ficar.
Também já falámos com os funcionários da Junta, que têm feito um trabalho espetacular, para iniciarmos a limpeza de alguns pontos que são importantes, como por exemplo o pelourinho. Limpar a pedra do pelourinho, dos cruzeiros, aqueles pontos que têm história, para que possamos depois começar a divulgar. Cuidar dos espaços públicos, também do património histórico e ambiental. Eu sou um apaixonado pelo ambiente, pela natureza, e quero mesmo fazê-lo. Aliás, quero perceber todo o património que, neste momento, a União Freguesias tem, para que o possamos aproveitar da melhor forma possível. Ainda ontem, por acaso, estivemos a falar sobre isso, eu e o secretário Vitor Ferreira, de como é que poderemos fazer o levantamento do património, para o podermos potenciar.
Notícias de Tábua- Em termos ambientais, esta é uma União de Freguesias com uma área florestal também considerável. Tem alguma ideia de como é que pode gerir este dossiê, que é sempre muito sensível, todos os anos, com os incêndios?
Luís Rodrigues – Sim, temos. Eu acho que o importante começa pelo básico, que é a limpeza da poluição. Ontem, por acaso, falava com os nossos funcionários, e eles estão a fazer esse trabalho espetacular. Eu disse-lhes: sempre que, haja um plástico, uma lata, um papel no chão, parem por favor a carrinha, apanhem, ponham num caixote de lixo, porque nós temos que mostrar que a nossa União de Freguesias é limpa, é limpinha.
E falando da proteção de incêndios, temos também algumas estratégias, queremos fazer um estudo, principalmente no Covelo de Cima, que tem uma área gigante de eucalipto, e no Covelo de Baixo, para tentarmos criar um caminho de segurança para quando seja necessário – como aconteceu em 2017- fazer uma evacuação das aldeias de forma segura, para que nada de mal aconteça aos habitantes. Temos uma grande área de eucalipto, e quero reunir com essa empresa, que pertence à Figueira da Foz, para que eles nos possam ajudar. Quero criar um protocolo com eles, para que nos possam ajudar com um kit de incêndios. Então, quero reunir com essa empresa para perceber como é que eles também nos podem ajudar. É uma empresa privada que trabalha muito bem na parte da limpeza das matas. Podemos tirar aqui algumas ideias e conhecimento para que na nossa União de Freguesias o risco de incêndio seja menor no futuro.
Notícias de Tábua – Luís Rodrigues espera contar com o apoio da Câmara Municipal para o ajudar na concretização de muitos destes projetos que tem para a Freguesia?
Luís Rodrigues – Sim, claro. Eu próprio, eu e o executivo, queremos perceber melhor os fundos e como é que os podemos aproveitar da melhor forma para bem da União de Freguesias.
A Câmara Municipal tem feito um trabalho espetacular, já nos colocou à vontade, já tive a oportunidade de estar reunido com alguns vereadores, trocarmos algumas ideias. Vamos começar a reunir também com o executivo camarário e, com isso, também quero aprender e aproveitar, sem dúvida, o apoio que eles dão. Foi um dos pontos que falámos na elaboração do nosso folheto de campanha, com o Presidente da Câmara, Ricardo Cruz, e ele próprio, na elaboração, gostou das ideias que foram colocadas no papel e sempre se mostrou disposto a 100% para começarmos, então, a ajudar as aldeias que tanto precisam.
Notícias de Tábua – Portanto, espera-se uma transformação também desta União de Freguesias nos próximos quatro anos?
Luís Rodrigues– O objetivo é mesmo esse. Eu não quero ter aquele sentimento, daqui a quatro anos, de que poderia ter feito alguma coisa e não o fiz, porque eu não sei o que vai acontecer daqui a quatro anos. Quero ter essa força de vontade e quero dar o meu melhor e, a transformação que tiver que acontecer durante quatro anos, acontece. Eu sei que não vai acontecer tudo o que eu desejava, porque isto não é só estalar os dedos, isto não depende só de mim, não depende só do Vítor e da Luísa e de todas as pessoas que fazem parte da minha equipa, mas, naquilo que nós pudermos, nós vamos arregaçar as mangas e dar o nosso melhor.









