As comemorações do 25 de Abril no concelho de Tábua ficaram, esta manhã, marcadas pela inauguração da requalificação do Espaço do Cidadão, no edifício da Câmara Municipal. A cerimónia iniciou com o hastear das bandeiras ao som do Hino Nacional.
Descerrada a placa de inauguração pelas mãos dos presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal, Ricardo Cruz logo destacou a importância da intervenção, que situou na estratégia de modernização dos serviços municipais e da escolha do “dia da liberdade” para dotar funcionários e munícipes de melhores condições.
“A melhoria e a requalificação do Balcão Único do Município de Tábua enquadra-se na melhoria e na requalificação dos vários serviços que temos na Câmara”, explicou o presidente da autarquia, sublinhando também que a intervenção agora concluída se encaixa no desiderato assumido de “recuperação” do edifício da autarquia, que é “a casa da democracia.”
O autarca sublinhou ainda o esforço financeiro do município e o impacto direto nas condições de trabalho e no atendimento, nomeadamente ao nível acústico e de climatização. “O balcão ficou, a partir de hoje, com outras condições de trabalho”, referiu.
Já no piso superior do edifício, no salão nobre, a sessão solene, que contou com a participação dos representantes das forças políticas com assento na Assembleia Municipal de Tábua, ficou marcada pelas “Canções de Abril” que ali foram tocadas e cantadas por Adelaide Sofia, que arrancou de todos fortes aplausos reconhecedores da sua qualidade artística e vocal.
Já no encerramento da sessão onde deixou um “viva” à liberdade e à democracia, Ricardo Cruz voltou a centrar a tónica no papel do poder local democrático, destacando o investimento feito no Balcão do Cidadão. “Estamos a contribuir para uma Câmara mais próxima, mais solidária, mais inclusiva, onde ninguém deve ficar para trás”, referiu. Certo das responsabilidades da autarquia junto das populações, recentemente acrescidas pelas transferências de competências do Estado para as autarquias, o autarca defendeu “uma nova lei das finanças locais que reconheça as dificuldades dos municípios de baixa densidade”.
Em dia de celebração dos valores de Abril, volvidos que estão 52 anos, o autarca tabuense abordou também os desafios atuais, nomeadamente as redes sociais e os riscos da desinformação. “Atualmente as redes sociais são excessivamente utilizadas como veículo de propagação de mensagens de ódio e de valores incompatíveis com os de Abril, exigindo-se mais verdade, mais transparência na vida pública e, sobretudo, forma de contrariar estes populismos”, afirmou.
Na mesma linha, alertou para o uso indevido da liberdade conquistada, alertando que “nalguns casos tem sido mal utilizada”. “Liberdade para alguns é confundida com libertinagem”, lamentou.
O 25 de Abril sob o olhar dos representantes das forças políticas na Assembleia Municipal
Na sessão solene comemorativa usaram da palavra os representantes das várias forças políticas na Assembleia Municipal, tendo cabido ao presidente daquele órgão autárquico, Nuno Tavares, a abertura das intervenções.
A traçar uma linha cronológica dos acontecimentos políticos após o 25 de Abril – elogiou a “coragem dos militares de Abril” – destacando de modo particular os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, Nuno Tavares alertou para o surgimento de “ideologias extremistas” que dão lugar às ditaduras onde “impera a força das armas”. “Tenho pena dos que desejam mudar o mundo para pior, mas pena tenho dos que obedecem confundindo ordem e cumprimento da lei com a ditadura”, partilhou, deixando um “viva ao 25 de Abril por tudo aquilo que ainda representa”.
A representar o movimento de independentes “Unidos por São João”, João Vitor Nunes questionou sobre “o que estamos a fazer” com o legado do 25 de abril, alertando que “a liberdade não é um dado adquirido”. “É preciso ouvir os jovens, dar-lhes voz e confiar”, disse, notando também que “Abril não é o que conquistámos, é o que não podemos perder”.
Do lado da Iniciativa Liberal, Manuel Pestana não tem dúvidas de que “estamos hoje melhores do que estaríamos sob a égide daquele regime caduco”, mas alertou para “os vícios do velho regime” de que o “país ainda padece”, apontando o dedo à centralização do poder.
João Portugal, do partido CHEGA, que questionou se “estamos a honrar verdadeiramente o 25 de Abril”, também lembrou que “o 25 de Abril não foi feito para criar uma classe política distante das pessoas”. “Celebrar Abril é querer um país mais justo, mais seguro, onde trabalhar compensa”, afirmou, defendendo que “a melhor forma de comemorar Abril não é lembrar o passado, é garantir o futuro”.
Em representação do PSD, António Fonseca alertou para o risco de dar a democracia como garantida. Defendeu, por isso, que “a memória do 25 de Abril tenha que funcionar não como nostalgia, mas como bússola”, porque “a liberdade que herdámos é um bem que temos que devolver às próximas gerações”.
Já do lado do PS, Olga Nunes lembrou que depois da “explosão de esperança” que o 25 de Abril proporcionou aos portugueses, “não podemos, não devemos e não aceitaremos voltar ao tempo de Salazar”. Para a socialista não sei aceitáveis “recuos no 25 de Abril” e, por isso, “é preciso defender a democracia e responder ao populismo com coragem”. Garantiu que “o PS está do lado certo da história”.
As comemorações em Tábua ficaram assim marcadas por uma forte participação institucional e política, aliada a momentos culturais e à valorização dos serviços públicos. O dia fica ainda marcado pelas iniciativa desportiva “Por Terras de João Brandão”.









