A Câmara Municipal de Tábua aprovou, por unanimidade, o relatório de gestão e prestação de contas relativo a 2025, numa reunião do executivo realizada esta quinta-feira à tarde. O documento reflete uma trajetória de recuperação financeira do município, destacada pelo presidente Ricardo Cruz, e mereceu também o voto favorável dos vereadores da oposição, Luís Jesus e Alexandra Moura, ainda que acompanhado de reservas e recomendações.

Na apresentação do documento, Ricardo Cruz sublinhou o desempenho financeiro alcançado, destacando um resultado líquido positivo de cerca de 1,7 milhões de Euros. “Podemos ficar satisfeitos. Temos um resultado positivo de 1,7 milhões de euros, o que nos permite ir continuando nesta estratégia de recuperação”, afirmou.
O autarca evidenciou ainda a redução da dívida total do município, que se situa agora nos 9,6 milhões de euros, menos cerca de um milhão face ao ano anterior. “Há uma trajetória positiva conseguimos reduzir comparativamente ao ano anterior cerca de meio milhão de euros”, referiu.
Outro indicador destacado por Ricardo Cruz foi a diminuição significativa do prazo médio de pagamentos em atraso, que passou de 243 para 110 dias, “o que é muito importante”.
Apesar dos resultados positivos, Ricardo Cruz alertou para os constrangimentos estruturais que afetam a gestão municipal, nomeadamente “uma média muito baixa de transferência do Estado para as autarquias locais”. Defendeu, por isso, uma revisão da Lei das Finanças Locais.
O presidente chamou também a atenção para o aumento da despesa com recursos humanos, explicando que não resulta do aumento de trabalhadores, mas sim das atualizações salariais.
Quanto ao futuro, deixou um objetivo claro: “estou convicto que iremos terminar 2026 na mesma trajetória, permitindo que, até 2029, um dos objetivos seja pagar a menos de 90 dias”.
Oposição reconhece progressos, mas deixa alertas
Do lado da oposição, o vereador Luís Jesus destacou a coerência do relatório na redução da dívida e melhoria dos indicadores financeiros. “O relatório foca em baixar a dívida e, efetivamente, isso nota-se”, afirmou, sublinhando também a descida dos juros e o cumprimento de pagamentos às juntas de freguesia.
Já Alexandra Moura apresentou uma análise mais detalhada, reconhecendo “sinais positivos, nomeadamente a redução do passivo e a diminuição dos prazos médios de pagamento de 243 para 110 dias”.
Contudo, apontou fragilidades que exigem atenção, como dívidas em atraso e a baixa taxa de execução da receita. A vereadora destacou ainda a necessidade de maior rigor na gestão, por forma a “assegurar uma maior correspondência entre a despesa assumida e a receita efetivamente cobrada”.
Apesar das críticas, a oposição decidiu viabilizar o documento.“Iremos dar um voto de confiança ao executivo esperando que os alertas sejam tidos em consideração”, referiu.









