Recém eleita presidente da União das Freguesias de Covas e Vila Nova de Oliveirinha, Dina Santos inicia o primeiro mandato à frente do executivo com desafios imediatos. Entre a reparação dos estragos provocados pelas recentes tempestades, a melhoria dos acessos e a ambição de reforçar serviços de proximidade, a autarca traça como prioridade “trabalhar para toda a gente, igualmente”. Nesta entrevista, fala das dificuldades, dos projetos para os próximos quatro anos e da vontade de ver a população crescer.
Notícias de Tábua (NT) – É a sua estreia como presidente da União de Freguesias. Qual é o grande desafio que tem pela frente nestes primeiros meses de mandato?
Dina Santos – Antes de mais, quero agradecer a todas as pessoas que acreditaram na nossa candidatura e o apoio que foi demonstrado. Estamos cá para trabalhar em prol de toda a população, sem diferenças, sem distinções. O objetivo e a nossa missão é mesmo trabalhar para toda a gente, igualmente. É claro que nem sempre vamos agradar a todos, mas isso também faz parte do desafio.
NT – As tempestades das últimas semanas alteraram as prioridades?
Dina Santos – Sim. O objetivo era conseguir concretizar grande parte do programa que apresentámos, mas com as tempestades das últimas semanas as prioridades inverteram-se. Estamos num caminho de reparação de danos provocados pelas chuvas intensas e ventos, que causaram estragos significativos, sobretudo nos caminhos.
Temos uma área florestal muito grande, com mais de 100 quilómetros de caminhos em terra batida. Há muitas habitações dispersas pela área rural e queremos dar dignidade aos seus acessos. Já tínhamos começado a reparar alguns em dezembro e agora tivemos de voltar aos mesmos sítios porque os danos foram imensos. Há cerca de 10 a 12 acessos que ficaram em muito mau estado.
NT – Consegue quantificar os prejuízos?
Dina Santos – Não consigo quantificar, mas são muitos. Precisamos de comprar materiais para repor caminhos. Neste momento estamos focados nas infraestruturas públicas. A nível privado, felizmente, as pessoas foram resilientes. Houve danos em coberturas e anexos agrícolas, mas não houve desalojados.
NT – Se tivesse de eleger uma prioridade para o mandato, qual seria?
Dina Santos – É difícil escolher apenas uma. Gostaria muito de conseguir melhorar vários acessos estratégicos, com uma visão que permita melhor circulação e segurança entre as aldeias da União de Freguesias.
E há uma necessidade muito importante: o saneamento. Gostaria muito que o saneamento em Loureiro fosse efetivamente concretizado e estivesse a funcionar nestes quatro anos. Depois, poder alargar a outras aldeias, se houver condições para isso.
NT – A União de Freguesias é também rica em tradições e associações. Que papel quer assumir nesse campo?
Dina Santos – Somos muito ricos em tradições. Temos associações praticamente em todas as aldeias e a Junta está sempre disponível para apoiar, estar presente e divulgar os eventos. Vamos iniciar reuniões com os presidentes das associações e comissões para perceber necessidades e chegar a consensos sobre o apoio possível.
A ideia é também organizar um calendário de festividades para evitar sobreposições e mostrar, para fora, o que a União de Freguesias faz. Queremos criar o nosso site e dinamizar as redes sociais para melhorar a comunicação, quer com a população, quer com quem nos queira visitar.
NT – Também pretendem reforçar os serviços de proximidade?
Dina Santos – Sim. Temos a intenção de abrir um balcão do Espaço Cidadão neste edifício novo, assim que estiver concluída uma pequena adaptação e a formação necessária. É um serviço que vai melhorar a acessibilidade aos serviços públicos, sobretudo numa freguesia com população envelhecida. Queremos trazer serviços à população, sem que tenham de se deslocar para fora.
NT – A questão demográfica é um desafio em todo o interior. Como pensa fixar jovens?
Dina Santos – É uma pergunta difícil. Para os jovens se fixarem, têm de se sentir bem aqui. Não estamos perto dos grandes centros, nem temos a mesma oferta de transportes, mas temos qualidade de vida. Temos farmácia, bombeiros, comércio, serviços. Estamos bem servidos.
Já há alguns jovens casais a procurar habitação, quer para comprar quer para alugar. Vou passando as informações que tenho. A questão da habitação e da reabilitação de casas devolutas é importante, mas também depende de outros níveis de decisão. Acho que os jovens têm de sentir vontade de voltar.
NT – Como gostaria de ver a freguesia daqui a quatro anos?
Dina Santos – Gostava muito de ver os números da população aumentarem. Temos cerca de 1.100 pessoas e seria muito bom chegar às 1.200. Gostava de ver o Parque de Merendas em Covas uma realidade, com pessoas a usufruírem do espaço. Gostava de ver alguns caminhos alcatroados e as associações a manterem as suas dinâmicas, sem nunca se deixarem abater.
Que contributo pode dar a Junta para essa qualidade de vida?
Dina Santos – Temos cinco colaboradores, quatro deles numa equipa de exterior muito competente e bem equipada. O executivo anterior deixou uma grande mais-valia em termos de maquinaria e equipamentos. São eles que, diariamente, mantêm a União de Freguesias limpa e cuidada, fazem a recolha de monos e apoiam as coletividades.
Somos nós os três do executivo, mais esses colaboradores, todos a trabalhar para servir a população e melhorar a qualidade de vida. E pedimos sempre às pessoas que nos façam chegar as suas preocupações. Sem proximidade e comunicação, não conseguimos perceber as necessidades. Queremos cuidar deste espaço público como cuidamos da nossa casa.









