Há dez anos que Ângela Santos mudou radicalmente de vida. Nascida e criada na cidade do Porto, a psicóloga e o marido (fotojornalista) decidiram (re)iniciar um novo percurso profissional, em áreas completamente distintas da sua formação, aproveitando a propriedade da família- a Quinta do Fundo, em Covas, onde fazem agora produção de mirtilos.

As memórias de infância, as férias de verão passadas na quinta representaram sempre um “sitio mágico” para Ângela que não se conformava com o facto da propriedade estar a ficar cada vez mais abandonada. Com a família a viver no Porto, a empresária diz ter sentido a “necessidade” de regressar às origens e de “fazer alguma coisa” que “revitalizasse” a quinta.
E surgiu a ideia do mirtilo porque, além de ser um fruto que começava a entrar nos hábitos de consumo dos portugueses, era uma planta que facilmente se adaptava às características do clima e aos solos da região.
“Achámos que esta era uma boa aposta, os mirtilos dão-se bem não só aqui, mas na região centro, têm uma qualidade excecional”, conta, notando que “de ano para ano, o consumo desta fruta vai aumentando”.
“Eu costumo dizer que cada criança nova que nasce, nasce um novo consumidor de mirtilo, as crianças adoram mirtilos e mesmo as gerações mais velhas vão ouvindo na televisão que os mirtilos têm anti oxidantes, fazem bem aos diabetes, ao sistema imunitário e compram cada vez mais, umas por questão de saúde, outras por gostarem mesmo”, observa a produtora, que atualmente aposta essencialmente no mercado local e da região com venda direta ao público, na quinta, onde os clientes gostam cada vez mais de vir e comprar os mirtilos acabados de colher.
“Temos muitos estrangeiros que vêm aqui, que gostam de ter contacto com a quinta, essa é uma boa parte do escoamento e depois temos as entregas semanais nos concelhos de Tábua, Arganil e Oliveira do Hospital” refere, marcando também presença , semanalmente, no Mercado Municipal de Tábua que, segundo diz, “é um ótimo veículo de escoamento da nossa fruta e onde os clientes crescem de semana para semana”.
Além disso, garante igualmente entregas em todo o país, a partir de determinadas quantidades. Com o pico da produção a acontecer nesta altura do ano, a Quinta do Fundo tem mirtilo praticamente o ano inteiro, já não na sua forma natural e fresca, mas através de outros sub produtos. Fora da época do mirtilo fresco, e com a chamada fruta “feia”, a Quinta do Fundo produz mirtilo desidratado e ainda mirtilo em pó, ótimos para sobremesas e pequenos almoços saudáveis e sem grandes calorias.
A fazer as delícias dos mais gulosos, a produtora apostou mais recentemente numa linha de chocolates artesanais com mirtilo que, sobretudo, no inverno e nas épocas festivas do Natal têm grande procura. “É uma boa forma de comer mirtilo o resto do ano”, garante a produtora que deixou o mercado da exportação precisamente para reforçar o mercado local, que tem mais vantagens não só económicas, mas em termos da própria qualidade do produto.
“A partir do momento em que trabalho só com o mercado local, eu sei que a minha fruta é consumida relativamente perto da data em que é colhida, ou seja, não há grandes distâncias a percorrer, a fruta não fica em entrepostos, não fica dias na estrada e isso permite-me praticar uma agricultura mais sustentável, porque a partir do momento em que a fruta é consumida a curto prazo, não são necessários os pesticidas, e outros conservantes, é um produto mais bio, digamos assim”, assegura a proprietária da Quinta do Fundo, em Covas, onde pode comprar diretamente os já famosos mirtilos da sua produção.









