O homem que escapou ao incêndio que destruiu uma roulotte na noite de 8 de julho, em Vila Nova de Oliveirinha, no concelho de Tábua, afirmou ter vivido durante vários anos num contexto de violência doméstica e medo, alegando que o companheiro, entretanto detido pela Polícia Judiciária, já o teria tentado matar anteriormente.
Em declarações ao Notícias de Tábua, José Manuel descreveu o episódio como mais um momento de uma relação marcada por agressões e ameaças. Segundo relatou, na noite do incêndio decidiu abandonar o local após uma discussão.
“Eu saí porta fora, porque já começou a discutir comigo”, contou. Questionado sobre o motivo que o levou a sair, respondeu simplesmente: “Fugi. Porque ele vira-se com facas, vira com tudo.”
O homem revelou que mantinha uma relação com o suspeito há cerca de oito anos e garante que os comportamentos violentos se agravaram com o passar do tempo. “Ao princípio, não. Mas depois foi”, afirmou quando questionado se o companheiro sempre teve atitudes agressivas.
Segundo José Manuel, já em 2023 apresentou uma queixa por violência doméstica na sequência de um episódio particularmente grave. “Deu-me uma aí, que tive que ir numa ambulância para Coimbra. Quase que me cortou o pescoço”, recordou.
A vítima afirma ainda que esta não terá sido a primeira vez que o suspeito recorreu ao fogo para o atingir. “Só que eu, nessa altura, no ano de 2023, eu perdoei-lhe. Tirei-lhe a queixa”, disse, lamentando hoje essa decisão.
Ao longo da entrevista, José Manuel descreveu um ambiente constante de tensão e medo, afirmando que procurava afastar-se sempre que o companheiro se tornava mais agressivo.
“Eu tinha medo dele. E tenho medo dele. Não posso dizer que não tenho medo dele. Tenho medo dele”, declarou.
A vítima associou ainda os episódios de violência ao consumo excessivo de álcool por parte do suspeito.
Riscos para a vizinhança
José Manuel considera que o incêndio não colocou apenas a sua vida em risco, mas também a segurança de toda a vizinhança. “Isto aqui era uma pólvora para todos”, afirmou, apontando para a proximidade entre as habitações e para a existência de estruturas e materiais combustíveis na zona. O homem salientou ainda a presença de famílias e crianças nas imediações.
Agora o homem espera “que se faça justiça”. José Manuel mostrou-se firme quanto ao desfecho que deseja ver: “deixem-no lá ficar. Não o quero ver mais”. “Para mim morreu. Nem vê-lo, nem vivo nem morto”, continuou, manifestando ainda receio de que situações semelhantes possam voltar a acontecer caso o suspeito venha a ser libertado.









