O Tribunal de Coimbra inicia hoje o julgamento de um antigo gestor, tesoureiro e contabilista certificado da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua (AHBVT), acusado pelo Ministério Público de se ter apropriado de cerca de 370 mil euros da instituição.
De acordo com a acusação do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional de Coimbra, o arguido, de 48 anos e residente em Tábua, terá utilizado os cargos que desempenhava na associação para desviar verbas entre 2013 e 2018, canalizando dinheiro para contas bancárias pessoais ou sob o seu controlo.
O Ministério Público refere que o suspeito acumulava várias funções de responsabilidade na AHBVT, incluindo a gestão financeira, a tesouraria, a contabilidade certificada e a direção dos centros de exames de condução explorados pela associação. Essa posição dava-lhe acesso privilegiado às contas bancárias, à contabilidade e aos fluxos financeiros da instituição.
Segundo a investigação, os alegados desvios terão sido realizados através de transferências bancárias, depósitos, levantamento de cheques e retiradas de numerário. As autoridades identificaram movimentações financeiras que ascendem a cerca de 649 mil euros durante o período em análise.
Após descontar salários, ajudas de custo e outras verbas consideradas legítimas, o Ministério Público concluiu que cerca de 498 mil euros entraram nas contas do arguido sem justificação aparente. Desse montante, aproximadamente 129 mil euros terão sido utilizados em pagamentos relacionados com a própria associação.
A acusação sustenta, assim, que o valor efetivamente apropriado terá sido de 369.644 euros, alegadamente aplicado, em parte, na compra de vários imóveis.
O Ministério Público requereu ainda a perda a favor do Estado da quantia considerada vantagem obtida através dos alegados crimes, sem prejuízo de eventual pedido de indemnização que venha a ser apresentado pela Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua.
Fonte: Diário de Coimbra (DC)









