O anúncio recente do encerramento da agência do Banco Santander em Tábua levou, na quarta-feira (29) à tarde, a Assembleia Municipal de Tábua a tomar uma posição contra a decisão daquela instituição bancária.
PS, Coligação PSD/CDS, Chega e o único Presidente de Junta de Freguesia independente (São João da Boa Vista) uniram-se na contestação ao anunciado encerramento da agência de Tábua, juntando-se à moção apresentada inicialmente pela líder da bancada do Partido Socialista, Olga Nunes. Apenas os dois eleitos pela IL (Iniciativa Liberal) ficaram de fora, tendo votado contra o documento que irá agora seguir para o conselho de administração do Banco Santander, Banco de Portugal e para o Governo.
Na moção, aprovada pela esmagadora maioria dos eleitos, a Assembleia Municipal de Tábua questiona, nomeadamente, os critérios que levaram ao “abandono” de Tábua, apesar de todos os indicadores de crescimento do concelho; se existiu alguma diminuição significativa do número de clientes no concelho ou quebra relevante do volume de negócios que justifique tal decisão e, ainda, se foram consideradas alternativas que permitissem manter um nível mínimo de serviço à população.
No documento, a Assembleia Municipal lembra que a confirmar-se a decisão, esta terá consequências para as pessoas e, em particular, às que têm mais idade e menor literacia digital e também para as empresas, sobretudo as PME, para quem este encerramento implicará alguns constrangimentos operacionais e apela à administração do Banco que “reavalie” a sua posição, “ponderando soluções que permitam a continuidade da prestação de serviços no concelho de Tábua”, ainda que em moldes ajustados à realidade atual.
Com o voto favorável da maioria dos eleitos, com exceção dos dois deputados municipais da IL, o texto da moção sublinha ainda que o Banco Santander fechou o ano de 2025 com lucros record de 14 mil milhões de euros, consolidando-se como o banco mais rentável do setor no país, resultados para os quais as pessoas e empresas de Tábua também contribuíram.
“É, por isso, legítimo exigir uma responsabilidade social proporcional a esse contributo”, fazem notar, lembrando que as instituições financeiras desempenham um papel “estruturante” na coesão territorial e no desenvolvimento equilibrado do país.
“Consideramos que decisões desta natureza não podem ser tomadas apenas com base em indicadores financeiros de curto prazo, descurando o impacto social e o compromisso com os territórios”, pode ler-se no documento, aprovado pela Assembleia Municipal de Tábua, que manifesta, assim, a sua profunda preocupação e firme oposição ao anunciado encerramento do balcão do banco Santander no concelho.
Refira-se que o assunto veio a público na última reunião do executivo camarário, com o presidente da Câmara, Ricardo Cruz, a deixar no ar a ameaça de “fechar” as contas pessoais e institucionais no Santander, como forma de protesto ao anúncio feito pelo Banco de fechar a agência de Tábua.









